quinta-feira, 31 de maio de 2012

Modorra














Tarde morna e modorrenta
De uma quinta-feira qualquer...
A hora passa, lenta, lenta,
Não se perde um segundo sequer.

Em vão, a mente sonolenta
Cumpre, automática, o que é mister;
Em transe, vigia, resiste, tenta
Manter-se pronta para o que vier.

Os ponteiros acompanha, atenta,
O fim é só o que quer,
A espera inebria, atormenta
Qual suave perfume de mulher.


(Ênio César de Moraes)

domingo, 15 de abril de 2012

Éramos seis
















Aos meus queridos irmãos


De repente, bate aquela saudade
Do tempo em que éramos só seis crianças
Sem malícia, sem medo, sem maldade.
Na mente, planos, sonhos, esperanças.

Desbravadores mirins da cidade:
Ponte Nova, travessuras, andanças...
Aos domingos, quanta felicidade:
Missa, Freshen-Up, sorvete... lembranças!

Onipresença, poder, liberdade,
Amizade, carinho, confiança,
Laços eternos de cumplicidade
De uma doce e memorável infância.

(Ênio César de Moraes) 

sábado, 3 de março de 2012

Contas e contos















À minha querida mãe



Em um caderno,
Seu fiel confidente,
Ela guardava seus dramas,
Seus planos, seus sonhos...
Compartilhava segredos.
Contava, em letras e em números,
Suas alegrias, seus medos, seus anseios.
Os anos se passaram,
O caderno-baú encheu-se,
Sentimentos transbordaram:
Realizações, frustrações, silêncios...
Das conquistas, perdeu as contas;
Das decepções, fez contos;
Da vida, fez poesia.
E o caderno-amigo,
Que nunca deixou de ser seu abrigo,
Ganhou o mundo em forma de livro!

(Ênio César de Moraes) 

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Elegia













Desespero e coragem,
Combinação perigosa
Que nos leva a fazer bobagem,
Que nos dá uma força espantosa.

Desesperados sofrem, choram;
Corajosos sonham, fogem;
Corajosos desesperados matam;
Desesperados corajosos morrem.

(Ênio César de Moraes) 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Natal



















Nasceu longe, bem longe, uma criança
Que a história da humanidade mudou,
Trouxe ao mundo paz, e amor, e esperança
E grandes lições de vida deixou.

Foi mensagem de bem-aventurança,
O respeito, a bondade ensinou,
Legou desprendimento e confiança;
Aos ímpios e aos iníquos perdoou.

Seus nobres ensinamentos ressoam
No coração das pessoas de bem,
Que se alimentam da sua Paixão.

E a cada dezembro mais alto ecoam,
Nos lares, vilas, cidades e além,
Os doces sons do espírito cristão.

(Ênio César de Moraes) 

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Mulher

Ser mulher: privilégio ou martírio?
O dom da vida ante as dores do parto;
Choros, cólicas, sofrimento farto,
Mas a beleza de rosa, de lírio.

Só por você deixo, feliz, o idílio:
Faço as malas, e largo tudo e parto;
Enfrento desilusão, dor, infarto;
Entrego-me ao devaneio, ao delírio.

É do paradoxo o mais fino exemplo,
É a mais pura das contradições,
É, dos enigmas, o indecifrável:

Transmite a tranquilidade de um templo
E provoca um turbilhão de emoções;
Com seu tom perigosamente afável.

(Ênio César de Moraes) 

domingo, 28 de agosto de 2011

Poesia
















Poesia é de quem a escreve,
Mas também de quem a lê,
De quem a se abrir se atreve,
De quem nos versos se vê.

Poesia não tem dono,
Poesia não tem data,
Poesia não tem trono,
Poesia ata e desata.

Poesia é sentimento,
Poesia é distração,
Poesia é o momento
Em que fala o coração.

(Ênio César de Moraes)