domingo, 5 de fevereiro de 2012

Elegia













Desespero e coragem,
Combinação perigosa
Que nos leva a fazer bobagem,
Que nos dá uma força espantosa.

Desesperados sofrem, choram;
Corajosos sonham, fogem;
Corajosos desesperados matam;
Desesperados corajosos morrem.

(Ênio César de Moraes) 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Natal



















Nasceu longe, bem longe, uma criança
Que a história da humanidade mudou,
Trouxe ao mundo paz, e amor, e esperança
E grandes lições de vida deixou.

Foi mensagem de bem-aventurança,
O respeito, a bondade ensinou,
Legou desprendimento e confiança;
Aos ímpios e aos iníquos perdoou.

Seus nobres ensinamentos ressoam
No coração das pessoas de bem,
Que se alimentam da sua Paixão.

E a cada dezembro mais alto ecoam,
Nos lares, vilas, cidades e além,
Os doces sons do espírito cristão.

(Ênio César de Moraes) 

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Mulher

Ser mulher: privilégio ou martírio?
O dom da vida ante as dores do parto;
Choros, cólicas, sofrimento farto,
Mas a beleza de rosa, de lírio.

Só por você deixo, feliz, o idílio:
Faço as malas, e largo tudo e parto;
Enfrento desilusão, dor, infarto;
Entrego-me ao devaneio, ao delírio.

É do paradoxo o mais fino exemplo,
É a mais pura das contradições,
É, dos enigmas, o indecifrável:

Transmite a tranquilidade de um templo
E provoca um turbilhão de emoções;
Com seu tom perigosamente afável.

(Ênio César de Moraes) 

domingo, 28 de agosto de 2011

Poesia
















Poesia é de quem a escreve,
Mas também de quem a lê,
De quem a se abrir se atreve,
De quem nos versos se vê.

Poesia não tem dono,
Poesia não tem data,
Poesia não tem trono,
Poesia ata e desata.

Poesia é sentimento,
Poesia é distração,
Poesia é o momento
Em que fala o coração.

(Ênio César de Moraes) 

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Esperança, a penúltima que morre

Extinta a última esperança,
Ainda nos resta a fé.
Qual a inocência da criança
Que até o impossível quer.

Esperança é sentimento
Dominado pela razão;
Fé, não, é alimento,
Pura “intuemoção”.

Com esperança,
Somos fortes, destemidos;
Com fé,
Somos invencíveis, temidos.

Sem esperança,
Somos fracos, vencidos;
Sem fé,
Somos vazios, desvalidos.

Com fé e esperança, somos a transfiguração do amor.
Amemos intensamente, sempre!

(Ênio César de Moraes) 

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Tempos modernos














Amar é ter
Ter é ser
Ser é subir
Subir é transpor
Transpor é pisar
Pisar é crescer
Crescer é delinquir
Delinquir é impor
Impor é destruir
Destruir é conquistar
Conquistar é destruir
Destruir é impor
Impor é delinquir
Delinquir é crescer
Crescer é pisar
Pisar é transpor
Transpor é subir
Subir é ser
Ser é ter
Ter é amar!

(Ênio César de Moraes) 

sábado, 28 de maio de 2011

Se se morre de amor












Se se morre de amor?
Não, de amor não se morre.

De amor, um ser (re)nasce;
De amor, um ser (re)vive;
De amor, um ser transborda;
De amor, um ser transcende.

O amor não nos traz dor.
O amor não nos engana.
O amor não nos maltrata.
O amor não trai quem ama.

Por amor, sim, se morre.

Por amor, mães se doam;
Por amor, heróis sofrem;
Por amor, faz-se guerra;
Por amor, se enlouquece.

(Ênio César de Moraes)