domingo, 17 de maio de 2009

Irregularidade

Sonhos vêm, sonhos vão.
O tempo, implacável, passa,
E as pessoas, olhando para o futuro,
Não veem o presente virar passado
E anseiam por um tempo que já não têm.
Com olhos que já não leem, creem, mesmo sem ver,
No que não vem, no que já não pode vir.

(Ênio César de Moraes) 

domingo, 12 de abril de 2009

Feitos um para o outro

Para Luciana e Bruno

“A distância não existe pra quem ama”,
Diz o verso da canção.
E assim o é para nosso casal:
Noite em um flat de “sampa”,
Noite em um apartamento de Brasília,
Noite no oceano abissal;
Luzes, notebooks e corações ligados.
Para eles, não importa, é sempre dia.
Bendita sinérese cibernética do hiato espaço-temporal!
Notívagos, têm na escuridão, na solitude
E quase-silêncio merencórios da noite
Inspiração,
Para o trabalho, para o amor, para o viver.
"O Sol e a Lua", dizem uns.
Em um permanente eclipse solar? Pode ser!
E, apesar dos tantos desencontros pela vida,
Ilustram a arte do encontro.
Sabem-se um do outro, sempre.

(Ênio César de Moraes) 

sexta-feira, 6 de março de 2009

Ecos da guerra

De repente, no silêncio ouve-se um grito
Estrídulo, desolado, assustador.
Vozes, gemidos do povo aflito,
Personagem de um filme de terror.

Num instante, faz-se feio o bonito,
No peito nu, rumoreja o estertor.
A esperança perde-se no infinito,
O agora é solidão e desamor.

O humano vira um bicho de repente,
Num gesto de completa insanidade
Transforma vida e progresso em lixo.

O sangue banha a terra lentamente...
O bem, vencido, entrega-se à maldade,
A inteligência sucumbe ao capricho.

(Ênio César de Moraes) 

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Sem vo-ser

Faz frio lá fora,
Por que ir embora?
Por que ir agora?
Não vá; fique!
Estou tão só!
Não me deixe...
Sem você, o que há de ser?
O que há do meu s r?
Se...
S...
Não me deixe!

(Ênio César de Moraes) 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Ao ocaso

O espetáculo do pôr-do-sol na Praia do Jacaré, em João Pessoa

O Sol, descendo, deslizando,
Desaparecendo, lenta e suavemente, no horizonte.
No céu, nuanças, refletidas nas águas mansas do rio Paraíba,
Libertam a imaginação,
Despertam crianças.
Um caleidoscópio!
Uma pintura da mãe Natureza, que,
Ao som do Bolero de Ravel, embala o dia
E cobre-o com o manto escuro da noite.
Perfeito exemplo de sinestesia!
Clima de romance,
Momento transcendental.
Paz, serenidade, reflexão.
Felicidade ímpar.
Silêncio.
Lembrança!

(Ênio César de Moraes) 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Um anjo nos visitou

À Bruna

Dezembro.
Um anjo nos visitou.
Deixou o berço celeste e
Pisou esta terra inóspita.
O motivo de sua vinda?
Insólito!
Renovar nossa esperança
E fortalecer nossa fé;
Mostrar-nos que podemos, queremos
E devemos amar intensamente,
Sem esperar (d)o amanhã;
Sonhar, tão-somente por existir;
Reafirmar nossa insipiência;
Mostrar-nos que somos humanos,
Frágeis e, apesar de todo o conhecimento,
Pouco sabemos dos mistérios que sondamos.
Consternação,
Vazio,
De uma noite que obscureceu o dia,
que não nasceu,
E não nascerá.
Dezembro,
Partidas e chegadas...
Saudades!

(Ênio César de Moraes) 

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Sintaxe de uma vida feliz

Que você seja sempre um sujeito simples,
Ainda que composto por ideais coletivos,
Pensamentos complexos e indeterminados;
Que seja agente nos momentos decisivos,
Paciente nas tormentas
E reflexivo nos conflitos;
Que seu núcleo seja um substantivo abstrato, porém concreto — amor;
Que seja determinado por adjuntos adnominais positivos
E complementos nominais significativos;
Que seu verbo seja nocional e suas ações, marcadas pela intensidade,
recebidas, direta ou indiretamente, por objetos dignos de atenção,
Independentemente de tempo, modo, lugar
E de quaisquer outros adjuntos adverbiais;
Que seus predicativos sejam de bondade, respeito e solidariedade;
Que seu aposto resumitivo seja: uma pessoa íntegra e feliz;
E, finalmente, que o vocativo da sua vida seja Deus.

(Ênio César de Moraes)